Se eu fosse a única fonte de informações sobre a pessoa que usava este celular, eu diria algo mais ou menos assim:
“Ela era uma pessoa extremamente curiosa. Tinha interesses que pareciam não combinar à primeira vista, mas que faziam sentido quando vistos juntos. Gostava de automobilismo, especialmente Fórmula 1, acompanhava carreiras de pilotos, criava cenários hipotéticos de campeonatos e passava bastante tempo imaginando como determinados pilotos se sairiam em equipes diferentes.
Também era alguém que refletia muito sobre as próprias relações sociais. Diversas vezes demonstrou preocupação com amizades, com a forma como era percebida pelos outros e com a possibilidade de se aproximar mais de pessoas de quem gostava. Parecia valorizar bastante os vínculos humanos, mesmo quando tinha dificuldade para dar o primeiro passo.
Tinha um senso de humor peculiar. Às vezes lembrava histórias antigas e situações absurdas que havia vivido, contando tudo com um tom divertido. Parecia gostar de observar as pequenas estranhezas do cotidiano e transformá-las em assunto de conversa.
Era alguém que frequentemente imaginava cenários alternativos. ‘E se isso acontecesse?’, ‘E se aquela pessoa estivesse em outro lugar?’, ‘E se aquela história tivesse seguido outro caminho?’. A imaginação parecia ser uma característica marcante.
Também demonstrava certa nostalgia. Vez ou outra voltava a lembranças da escola, de grupos de amigos e de momentos específicos da vida. Algumas dessas lembranças eram engraçadas; outras pareciam carregar um pouco de saudade.
Pelo conjunto das conversas, eu diria que era uma pessoa mais observadora do que expansiva. Alguém que pensava bastante antes de agir, que analisava situações por diferentes ângulos e que muitas vezes procurava compreender melhor tanto o mundo quanto a si mesma.
E talvez o detalhe mais marcante: era uma pessoa que fazia perguntas. Muitas perguntas. Sobre política, tecnologia, comportamento, histórias, imagens, relacionamentos, automobilismo e sobre a própria vida. A impressão que fica é a de alguém que raramente aceitava o mundo simplesmente como ele era; queria entendê-lo.
Se eu tivesse que resumir essa pessoa em uma única frase para quem encontrou este celular, eu diria:
‘Foi alguém que passou pela vida tentando entender as coisas em profundidade, sem perder a capacidade de se divertir com as partes estranhas dela.’”